Pontos

14/06/2016

Pontos Riscados
São os símbolos gráficos dos quais as entidades de Umbanda se servem para determinar sua identificação, funcionando como verdadeira identidade da entidade que se manifesta, impedindo assim que algum espírito mal intencionado engane os demais componentes do templo onde se manifesta. São traçados, geralmente no chão ou em tábua de madeira ou mármore, com uma pemba (giz), utilizando-se de símbolos como sóis, estrelas, triângulos, lanças, flechas, folhas, raios, ondas, cruzes.

Não pode existir um terreiro ou mesmo um trabalho de magia sem o ponto riscado. Assim, o ponto riscado é o instrumento mais poderoso da Umbanda, uma vez que sem ele nada se poderia fazer com segurança, já que é a pemba que tem o poder de fechar, trancar ou abrir os terreiros conforme exigir o trabalho a ser praticado.

Através do ponto riscado, a entidade mostra seu grau hierárquico e movimenta toda uma falange de entidades que trabalham sob suas ordens para um determinado trabalho de auxílio a alguém. É pela grafia, pelos símbolos utilizados, que podemos identificar a entidade como um caboclo, um preto-velho, qual preto ou qual caboclo e assim por diante.

Cada ponto riscado tem sua função específica. Os pontos riscados são verdadeiros códigos registrados e sediados no plano espiritual. Geralmente, só o pai de Santo ou a entidade firmada sabe e pode identificar, com segurança, qual entidade riscou o ponto, ou qual Falangeiro de Orixá está ali incorporado trabalhando.

Através dele, identifica-se a falange da entidade, sua atividade e poderes. Cada traço tem seu significado e sua importância no ponto riscado pela entidade. Por isso mesmo, não podem ser riscados sem o devido conhecimento ou por alguém que não seja a entidade atuante, já que em se tratando da magia poderosa das entidades de Umbanda, se não forem traçados por elas, não passam de simples rabiscos inócuos.

Os pontos riscados nos templos de Umbanda são feitos com a Pemba, que consiste numa espécie de giz, confeccionado com calcário, de formato cônico-arredondado em diversas cores, sendo que conforme a cor utilizada nos pontos riscados pela entidade identifica-se a Linha a que pertence ou a Linha com a qual a entidade trabalhará naquele momento.

Pela pureza, a Pemba é um dos poucos elementos que pode tocar a cabeça do médium, sendo utilizada para lavagens de cabeça, banhos de descarrego, etc.

 

PONTOS CANTADOS NA UMBANDA

Os Pontos Cantados de Umbanda, ou seja, os cânticos entoados nos templos umbandistas, têm finalidades sequer imaginadas pelos consulentes e mesmo por muitos médiuns, estando longe de serem apenas para alegrar ou distrair pela música.

Dentro da ritualística de Umbanda, os pontos cantados são indispensáveis. São verdadeiras preces cantadas, que expressam a fé, a mística, as origens das entidades e orixás, sua história e toda a magia da ritualística de Umbanda.

Eles expressam, de maneira sublime, uma mensagem, uma emoção, um sentimento, uma imagem, um alerta, uma informação, uma orientação, um conhecimento, etc.

Os atabaques têm importância fundamental para os terreiros de Umbanda, sendo instrumento sagrado, consagrado e firmado pelos orixás e guias, devendo os Ogãs respeitarem também todo um preceito e fundamento para poderem tocá-los durante as giras. Os atabaques são de três tipos diferentes: Rum, Rumpi e Lê.

Rum – É o atabaque maior.

Rumpi- É o segundo atabaque maior, que deve responder ao Rum.

Lê – É o terceiro atabaque utilizado pelos ogãs principiantes ou em aprendizado.

Os pontos cantados são de fundamental importância para estabelecer o padrão vibratório dos terreiros durante as giras, devendo ser realizados com responsabilidade e respeito, tanto pelos Ogãs, quanto pelos demais integrantes do corpo mediúnico, já que sua força é tanta que responde pela firmeza da casa espiritual. Muito se ouve dizer que pontos cantados com firmeza e responsabilidade são responsáveis por manter um terreiro, ou por outro lado, destruí-lo.

Quanto à finalidade, os Pontos Cantados podem ser:

– Pontos de chegada e partida;

– Pontos de vibração;

– Pontos de defumação;

– Pontos de descarrego;

– Pontos de fluidificação;

– Pontos contra demandas;

– Ponto de abertura e fechamento de trabalhos;

– Pontos de firmeza;

– Pontos de doutrinação;

– Pontos de segurança ou proteção (são cantados antes dos de firmeza);

– Pontos de cruzamento de linhas;

– Pontos de cruzamento de falanges;

– Pontos de cruzamento de terreiro;

– Pontos de consagração do Congá;

Os principais pontos utilizados no ritual Umbandista são: ponto de abertura, ponto de defumação, ponto de chamada, ponto de encerramento e hino da umbanda. Costuma-se definir ainda os pontos cantados como verdadeiros mantras entoados em preces e louvação que evocam os espíritos superiores, fortalecendo os centros de energia, nossos chacras, formando juntamente com a egrégora de espíritos superiores presentes nos terreiros durante as giras um ambiente de luz, capaz de dissipar as energias nocivas e miasmas inferiores. Por trás de todo ponto cantado existe a magia, a “mironga” da entidade que o trouxe. É por isso de fundamental importância que as “curimbas” sejam louvadas com concentração, fé, amor e sintonia. Os pontos cantados mudam de ritmo e mesmo de frequência de acordo com as vibrações espirituais:

– Oxalá – são sons místicos, predispondo à paz e à elevação espiritual;

– Ogum – são sons vibrantes;

– Oxossi – sons que lembram a harmonia da natureza, mais acelerados;

– Xangô – sons graves e cantados em tom baixo;

– Ibeji – sons alegres, vibrantes;

– Yemanjá, Oxum – sons suaves, emotivos;

– Iansã – sons vibrantes, estimulantes.

Os pontos cantados classificam-se em:

– Pontos de Raiz: são aqueles ditados pelas entidades, que os trazem dos Planos Superiores onde ativam uma linguagem espiritual referente aos sons que o ponto emite, estabelecendo uma conexão vibratória entre o plano físico e o plano espiritual.

– Pontos Terrenos: São os pontos criados pelos encarnados para homenagear o Orixá, uma falange ou entidade, sendo aceitos pelos Guias desde que providos de razão e bom senso.