Oxalá

12/07/2016

Oxalá é uma palavra da língua portuguesa utilizada como interjeição para expressar o desejo que algo aconteça. É sinônimo de “tomara” ou “queira Deus”. A palavra tem origem na expressão árabe in shaa Allaah, cujo significado é “se Deus quiser”. Em espanhol, teve desenvolvimento semelhante e deu origem à palavra ojalá, exatamente com o mesmo significado de oxalá em português.

O orixá Oxalá é o governante da vida. Estaá associado à matriz cósmica como princípio masculino e feminino do poder. Criador do mundo inorgânico, preside a passagem do sobrenatural à existência física do nascimento e também da transição, a morte, quando a pessoa perde a individualidade e volta ao pó físico e à essência matriz espiritual. É o pai de todos os orixás por excelência, a metade superior da cabaça-mundo. É o patrono da sabedoria, tal qual Olodumarê é o senhor absoluto do poder da fala, do Orun.

Oxalá é o detentor do poder procriador masculino. Todas as suas representações incluem o branco. É um elemento fundamental dos primórdios, massa de ar e massa de água, a pró-forma e a formação de todo tipo de criaturas no Aie e no Orun.

Oxalá é alheio a todo o tipo de violência, disputas e brigas, gosta de ordem, da limpeza e da pureza. Na África, todos os Orixás relacionados com a criação são designados pelo nome genérico de Orixá Fun Fun. O mais importante entre todos eles chama-se Orixalá, ou seja, o grande Orixá, que nas terras de Igbó e Ifé é cultuado como Obatalá, rei do pano branco. Eram cerca de 154 os Orixás Fun Fun, mas no Brasil e em Portugal a quantidade reduz-se significativamente, sendo que dois, Oxalufã e Oxaguiã, se tornaram as suas expressões mais conhecidas. A designação de Orixá Fun Fun deve-se ao fato de a cor branca se configurar como a cor da criação, guardando a essência de todas as demais. Todos os Orixás Fun Fun foram reunidos em Oxalá e divididos em várias qualidades das suas duas configurações principais: Oxalufã e Oxaguiã, sendo este último, jovem e guerreiro, filho do primeiro, mais velho e paciente.

Todas as histórias que relatam a criação do mundo passam necessariamente por Oxalá, que foi o primeiro Orixá concebido por Olodumarê e encarregado de criar não só o universo, como todos os seres e todas as coisas que existiriam no mundo. No Xirê, Oxalá é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as origens. Ele representa a totalidade. Como Bará, reside em todos os seres humanos. Representa o céu, o princípio de tudo, e foi encarregado de criar o mundo.

Equilíbrio positivo do universo, da fraternidade entre os povos da Terra e do cosmo, é considerado o fim pacífico de todos os seres. A morte deve ser encarada com naturalidade como encaramos os demais assuntos da nossa vida, pois ela faz parte da natureza e sabemos que tudo tem um início, um meio e um fim. Bará inicia, Oxalá termina. É ele que sempre atuará como mediador para acalmar discórdias em qualquer plano e produzindo uma solução, uma definição. Oxalá, porém, é o que traz consigo a memória de outros tempos, as soluções já encontradas no passado para casos semelhantes, merecendo, portanto, o respeito de todos numa sociedade que cultuava ativamente seus ancestrais.

Na Umbanda é cultuado somente Oxalá universal, que no sincretismo é Jesus Cristo. Por esse motivo, na Umbanda não são feitos filhos de Oxalá, pois não existe a possibilidade de alguém trabalhar com Jesus Cristo. Já nos cultos afro-brasileiros são cultuadas as qualidades de Oxalá.

Oxalá Ajagemo: Para o qual durante a sua festa anual em Edé, dança-se e representa-se com mímicas, um combate entre ele e Oluniwi, no qual este último sai vencedor.

Oxalá Akire ou Ikire: É um valente guerreiro muito rico que transforma em surdo e mudo a quem o negligencia.

Osalá Alase ou Olúorogbo: Salvou o mundo fazendo chover num período de seca.

Oosaalá Etéko: Caminha com Oxaguiã, é inquieto. Vive nas matas e come todo o tipo de carne branca.

Oxalá Eteto Obá Dugbe: Outro guerreiro, ligado a Orixalá.

Oxalá Lejugbe: é muito confundido com Oxalufan; por ser vagaroso e indeciso. Muito chegado a Ayrá. Come com Yemanjá e Oxalufan. Come também todo tipo de carne branca.

Oxalá Obatalá: É o mais velho dos orixás. O grande rei branco; raiz de todos os outros Oxalás. Ele não é feito, faz-se Ayrá ou Oxum Opara. É o pai de Oxalufã que por sua vez é o pai de Oxaguiã. Por ser muito grande e poderoso, Obatalá não se manifesta, sua palavra transforma-se imediatamente em realidade. Representa a massa, o ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação dos novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos. Oxalá Okó: Divindade da agricultura e colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra. Orixá Nagô, pouco conhecido no Brasil. Na época da chegada dos escravos, não deram muita importância a este orixá, considerando como orixá da agricultura, em seu lugar Ogum e dos grãos Obaluaiyê. Quando se manifesta, leva um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores, traz uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade. É confundido com Oxalá, pois veste-se de branco. Seu Opaxoró, no Brasil, é confeccionado em madeira. Sendo um Orixá raro, tem poucas qualidades conhecidas. É um Orixá rico.

Oxalá Orinxalá, ou Obatalá: É casado com Yemanjá, suas imagens são colocadas lado a lado e cobertas com traços e pontos desenhados com efum, no Ilésin, local de adoração. Dizem que Yemanjá foi a única mulher de Orixalá, um caso excepcional de monogamia entre orixás e eborás.

Na Almas e Angola são cultuados somente Oxalufã e Oxaguiã.

Oxalá Oxalufã: Orixá velho e sábio, cujo templo é Ifón pouco distante de Oxogbô. A cerimônia de saudações é de 16 em 16 dias. Orixá muito velho, de idade avançada, lento, movendo-se com muita dificuldade. Dança apoiado no paxoró. Treme de frio e velhice. Detesta a violência, disputas e brigas. Não come sal nem dendê; odeia cores fortes, principalmente o vermelho. A ele pertencem os metais e substâncias brancas; não suporta cavalos.

Oxalá Oxaguiã: Orixá jovem e guerreiro, cujo templo principal se encontra em Ejigbô. Tomou o título de Rei de Ejigbô; uma de suas características e o gosto pelo inhame pilado chamado lyán, que lhe valeu o apelido de Orisájiyan. A tradição exige que os habitantes de dois bairros Xolô e Oké Mapô lutem uns contra os outros a golpes de varas. É o único que tem autorização de enfeitar seus colares brancos com pedras azuis, chamadas Seguy. Está ligado ao culto de Iroko e dos espíritos, assim como a fertilidade e o culto ao inhame. É o pai de Oxossi Inlé, come com Ogunjá, Oxossi Inlé, Airá, Exu, Oyá e Onira. Tem muito fundamento com Oyá, pois é o dono do Atori, fundamento que lhe foi dado por ela, motivo pelo qual as pessoas de Guian devem agradar muito a Oyá. Vem pelos caminhos de Onira; tem ligação forte com Exu. Seus filhos devem evitar brigas e mentiras e principalmente não devem enganar a Ogum.