Orações

28/06/2016

As sete lágrimas… de Pai-Preto

Foi uma noite estranha aquela noite queda; estranhas vibrações afins penetravam meu ser mental e o fazia ansiado por algo, que pouco a pouco se definia…

Era um quê desconhecido, mas sentia-o, como se estivesse em comunhão com minha alma e externava a sensação de um silencioso pranto…

Quem do mundo Astral emocionava assim um pobre “eu”? Não o soube, até adormecer.. e “sonhar”…

Vi meu “duplo” transportar-se, atraído por cânticos que falavam de Aruanda, Estrela Guia e Zambi; eram as vozes da Senhora da Luz Velada, dessa Umbanda de todos nós que chamavam seus filhos de fé…

E fui visitando cabanas e tendas, onde multidões desfilavam…

Mas, surpreso ficava, com aquela “visão” que em cada urna eu “via”, invariavelmente num canto, pitando, um triste Pai-Preto chorava. De seus “olhos” molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei por que, contei-as… foram sete.

Na incontida vontade de saber, aproximei-me e interroguei-o: fala Pai-Preto, diz a teu filho por que externas assim uma tão visível dor? E Ele, suave, respondeu: estás vendo essa multidão que entra e sai? As lágrimas contadas, distribuídas estão dentro dela…

A primeira eu a dei a esses indiferentes que aqui vêm em busca de distração, na curiosidade de ver, bisbilhotar, para saírem ironizando daquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber.

Outra, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um “milagre” que os façam “alcançar” aquilo que seus próprios merecimentos negam. E mais outra foi para esses que creem, porém, numa crença cega, escrava de seus interesses estreitos. São os que vivem eternamente tratando de “casos” nascentes uns após outro…

E outras mais que distribuí aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejam sempre prejudicar a um seu semelhante – eles pensam que nós, os Guias, somos veículos de suas mazelas, paixões, e temos obrigação de fazer o que pedem… pobres almas, que das brumas ainda não saíram.

Assim vai lembrando bem, a quinta lágrima foi diretamente aos frios e calculistas – não creem, nem descreem; sabem que existe uma força e procuram se beneficiar dela de qualquer tona. Cuida-se deles, não conhecem a palavra gratidão, negarão amanhã até que conheceram uma casa da Umbanda…

Chegam suaves, têm o riso e o elogio à flor dos lábios, são fáceis, muito fáceis; mas se olhares bem seus semblantes, verás escrito em letras claras: creio na tua Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o “meu caso”, ou me curarem “disso ou daquilo’…

A sexta lágrima eu a dei aos fúteis que andam de tenda em tenda, acreditam em nada, buscam apenas aconchegos e conchavos; seus olhos revelam um interesse diferente, sei bem o que eles buscam.

E a sétima, filho, notaste como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que “vive’ nos “olhos” de todos os Orixás; fiz doação dessa, aos vaidosos, cheios de empáfia, para que lavem suas máscaras e todos possam vê-los como realmente são…

Cego, “guias de cegos”, andam se exibindo com a Banda, tal e qual mariposas em torno da luz; essa mesma luz que eles não conseguem ver, porque só visam a exteriorização de seus próprios ‘egos’. “Olhai-os” bem, vede como suas fisionomias são turvas e desconfiadas; observai-os quando falam “doutrinando”; suas vozes são ocas, dizem tudo de “cor e salteado”, numa linguagem sem calor, cantando loas aos nossos Guias e Protetores, em conselhos e conceitos de caridade, essa mesma caridade que não fazem, aferrados ao conforto da matéria e à gula do vil metal. Eles não têm convicção. Assim, filho meu, foi para esses todos que viste cair, uma a uma, AS SETE LÁGRIMAS DE PAI-PRETO! Então, com minha alma em pranto, tornei a perguntar: não tens mais nada a dizer, Pai-Preto? E, daquela “forma velha”, vi um véu caindo e num clarão intenso que ofuscava tanto, ouvi mais uma vez…

Mando a luz da minha transfiguração para aqueles que esquecidos pensam que estão… eles formam a maior dessas multidões…

São os humildes, os simples; estão na Umbanda pela Umbanda, na confiança pela razão…

SÃO OS SEUS FILHOS DE FÉ.

São também os “aparelhos’, trabalhadores, silenciosos, cujas ferramentas se chamam dom e fé, e cujos “salários” de cada noite… são pagos quase sempre com urna só moeda, que traduz o seu valor numa única palavra – a ingratidão…

Mestre Yapacani

 

 

 

Oração a Oxalá.

 

Meu Pai Oxalá, me dê a sua paz, saúde, alegria e axé!

Cubra-me com a sua Luz e tire de meus caminhos a escuridão, que me leva ao rancor e ao orgulho.

Permita Pai, que no decorrer deste dia eu possa ser melhor do que fui ontem.

Que Vossa infinita bondade me faça auxiliar o meu irmão, como tu me ensinaste.

Que a fé que tenho em ti senhor seja sempre minha companheira, me conduzindo a todos os momentos para o caminho do bem.

Que por hoje eu possa ser confiável, amigo, leal. Que o meu irmão encontre em mim fagulhas da tua luz. Que eu seja útil ao que ele desejar. E que eu não espere recompensas por isso.

Senhor que eu possa irradiar sempre, o conforto o amparo à amizade e a proteção que a vossa luz traz para minha vida.

Que eu consiga compartilhar com o meu semelhante o teu amor de Pai amoroso, e com isso eu seja um instrumento de alivio para sua dor.

Que eu não sucumba ao egoísmo acreditando que o meu sofrimento é maior que o sofrimento do meu irmão.

Que meu coração e mente estejam sempre limpos da maldade terrena e espiritual.

Que eu use sempre o melhor de mim, para ajudar meu irmão caminhar,

Tira da minha vida Pai, o julgamento, a maldade, o orgulho, a intolerância, a teimosia.

Permita que daqui pra frente a fé que tenho em ti, me faça ver o quanto sou falha e o quanto tenho a aprender, fazendo que eu seja uma pessoa melhor a cada dia.

Meu pai Oxalá que sua luz seja sempre a maior riqueza que trago comigo, que eu aprenda a ser grata por todos os ensinamentos que colocas nos meus caminhos.

 

Que assim seja!