Ogãs

07/06/2016

Os ogãs têm como uma das principais funções o toque dos atabaques para a chegada das entidades à casa de santo. No caso específico do ritual Almas e Angola, os ogãs são tocadores de atabaques; não são rodantes, embora isso possa ocorrer. Cabe destacar que, neste caso, esses médiuns não são considerados ogãs, e sim alguém que está ajudando na casa, tocando o atabaque enquanto aprende e desenvolve sua mediunidade. De qualquer forma, é assunto que deve ser acompanhado de perto pelos zeladores da casa, já que o atabaque faz a chamada das entidades e, se o Ogã manifesta-se com sua mediunidade, poderá haver quebra de concentração e quebra fluídica, o que pode ocasionar transtornos e mal-estar nos médiuns.

Há algum tempo, era  regra geral que atabaques fossem instrumentos consagrados unicamente ao ogã do sexo masculino. Hoje em dia, no entanto, esta regra vem sendo quebrada. São eles os detentores dos toques e cantigas específicas para cada situação característica, sendo a função do ogã imprescindível. Têm voz ativa no terreiro, podendo, em certas situações, designar obrigações e ordenar funções.

O ogã não é simplesmente um tocador de atabaques e um cantador de pontos, sua função é também deter segredos e rituais cujo conhecimento só é revelado para o pai ou mãe no santo e para o ogã. Os atabaques têm importância fundamental para os terreiros de Almas e Angola, sendo instrumento sagrado, consagrado e firmado pelos orixás e guias, devendo os ogãs respeitar também todo um preceito e fundamento para poder tocá-los durante as giras.