Mediuns e mediunidades

21/06/2016

Médiuns

por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires

Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada,que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.

Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, pneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos.

As características específicas da Umbanda
O termo “cavalo” na Umbanda vem sendo substituído pelo “médium” da doutrina espírita, na maioria das vezes por falta de entendimento deste maravilhoso termo. Vejamos, sob a ótica que aprendi. Cavalo é um animal mais próximo do homem (mais que o cão), foi o cavalo que ajudou o homem em toda sua evolução, antes do automóvel, e ainda hoje é ajudante inseparável nos campos.

O entrosamento equino e humano é coisa química, tanto que existe a excelente equinoterapia para ajudar portadores de cuidados especiais. Existe uma variedade imensa de cavalos cumprindo funções primordiais. Há cavalos de charrete, de hipismo, de corrida, de trabalho, dedicados a trabalhos terapêuticos, etc.

Um dos maiores índices de mortalidade humana, em tempos não muito longínquos, como 1908, data da anunciação da Umbanda como religião, era a picada de ofídios. E quem justamente forneceu o antídoto foi o cavalo.

Partindo, agora, para analogia dos guias de Umbanda com relação a seus pupilos (cavalos/médiuns), podemos dizer:

  • AMOR de um ser mais elevado para com seu discípulo de jornada evolutiva. Cada guia sabe muito bem que tipo de cavalo é seu pupilo, é seu dever “adestrá-lo” (doutriná-lo) o melhor possível. Sabe, seu guia, que muitas vezes ele “empaca” e não quer andar na estrada evolutiva da vida. Então, amorosamente, ele faz de sua química espiritual algo magicamente sentido por seu cavalo de Umbanda, para o “pangaré” voltar a andar e evoluir na grande escola da vida que é Umbanda.
  • MISSÃO, em se pensando como cada cavalo é adaptado para tarefas especificas. O cavalo de Umbanda tem missões especificas dentro da religião. Assim como os cavalos, não basta ser de raça ou bem adestrado, é preciso ser fiel e cumpridor de suas tarefas sem hesitar, sabendo que seu cavaleiro (no caso, o guia) jamais exigirá dele o que não possa cumprir, ou colocá-lo em situação que ofereça perigo. Um cavalo é transporte para seu cavaleiro, bem como o cavalo de Umbanda é para o guia, viabilizando a comunicação entre os dois mundos.

  • Por fim, mas não o fim, o cavalo é, para o guia, como o cavalo de São Jorge é para ele. Sem a comunhão dos dois, não sucumbiriam o dragão. Assim é a relação entre o guia e o cavalo de Umbanda. Juntos, vão combatendo todo mal necessário, até que um dia o homem entenda que ser cavalo não é ser inferior, mas ter o privilégio de participar, com humildade, da grande evolução universal. Meu saravá a todos*.

*Texto de Mauro Simões, publicado no blog:http://terreirodeumbandaescoladavida.blogspot.com.br/

 

Você esta pronto pro caminho Mediúnico???

Ser um médium de Umbanda não é uma das tarefas mais fáceis e, nem de longe, é a brincadeira que muitos pensam ser. Para ser um médium umbandista é necessário ter o mínimo de caráter e discernimento pois ali dentro de um terreiro de Umbanda você está lidando diretamente com pessoas nos mais diferentes níveis de aprendizado espiritual e, principalmente, nos mais diferentes estados emocionais que você possa imaginar.

É certo dizer, por exemplo, que a maioria das pessoas que procuram um terreiro de Umbanda pela primeira vez estão com algum problema grave em sua vida e, muitas vezes, essas pessoas já recorreram aos mais diversos tipos de apoios e aconselhamentos e veem, no terreiro de Umbanda, a sua última esperança para resolver ou tentar amenizar tal situação. Não é regra esse tipo de caso, porém é bastante comum encontrar pessoas praticamente desenganadas dentro de terreiros de Umbanda (e não estou me referindo à pessoas desenganadas pela medicina).

Um médium de Umbanda lidará o tempo inteiro com pessoas que estão em busca de algo muito importante em suas vidas, estão mentalmente fragilizadas e que, em sua maioria, são possuidoras de alguma fé. Partindo desta afirmação, um médium de Umbanda deve estar sempre atento ao que vai falar para o consulente, seja incorporado ou desincorporado, até porque a maioria dos médiuns estão completamente ou quase completamente consciente durante as incorporações e por este motivo podem vir a interferir no que o guia espiritual está falando para o consulente.

Não tenho aqui a mínima intenção de criar um manual de como deve agir um médium. Venho aqui humildemente expor minhas opiniões e caso alguém discorde ou tenha algo a acrescentar, sinta-se à vontade!

Não julgue

Nunca, em hipótese alguma, faça qualquer tipo de julgamento sobre as questões dos consulentes. Isso vale tanto para o médium quanto para o cambone que está acompanhando a consulta. Já presenciei casos em que o cambone chegou à barbaridade de falar para o consulente “andar logo porque tem gente com problemas mais graves para serem atendidos”. Oras… problemas são problemas. Se algo não lhe parece grave não lhe cabe julgar a gravidade daquilo para a pessoa que está se consultando com o guia. E você, médium de incorporação, nunca tente julgar a “gravidade” do problema do consulente que está ali na sua frente. Julgar as pessoas é o primeiro passo para o fracasso total de médium e, consequentemente, de um terreiro inteiro.

Não comente

Eu já falei aqui mesmo sobre comentários e fofocas que podem acontecer dentro de um terreiro. Fazer comentários à respeito dos problemas dos consulentes que vão ao terreiro em busca de ajuda só vai gerar fofoca e certamente atrairá pessoas curiosas que, além de não contribuírem em nada para a resolução do problema, ainda existirão os de má índole que podem tentar se aproveitar da fragilidade da pessoa para conseguir benefícios dos mais variados possíveis. Escutou algo de um consulente e gostaria de fazer um comentário produtivo com alguém que talvez possa ajudar? Fale primeiro com o(a) dirigente da casa, passe o problema para ele(a) e deixe que ele(a) encaminhe o problema da melhor forma possível, afinal, uma das funções do dirigente é justamente essa.

Ninguém é igual a ninguém

Não tente usar ninguém como modelo para apontar como uma pessoa deve agir ou se comportar. Ninguém gosta de ser comparado e ninguém é igual a ninguém. Se você quer dar conselhos à uma pessoa, encontre uma forma de fazer isso sem compara-la a ninguém, tente mostrar através de exemplos práticos como tais atos podem ser uteis para a vida daquela pessoa mas sem mencionar o nome de fulano ou sicrano. Como já falei, você não sabe o estado de fragilidade mental do consulente e, dependendo de como está a pessoa, compara-la a outra mostrando-a que está errada só irá lhe fazer se sentir inferior e isso não irá ajudar em nada.

Terreiro não é hospital

Por mais que alguns terreiros trabalhem com entidades de médicos, nunca aconselhe que o consulente abandone o tratamento médico em detrimento do tratamento espiritual que está recebendo ali no terreiro. Em primeiro lugar, praticar tal ato é crime de curandeirismo e está previsto no Código Penal Brasileiro. Você pode encontrar mais informações aqui e aqui. Se alguém chega à um terreiro e está doente, a primeira coisa que qualquer um deve fazer é perguntar-lhe se já foi ao médico e se está sob algum tratamento da medicina tradicional. Nunca, em hipótese alguma, diga para a pessoa suspender o tratamento médico convencional e se vir alguém fazendo, interrompa na mesma hora, seja quem for. Nenhuma entidade de luz irá solicitar que o consulente interrompa o tratamento médico convencional. Se você fizer isso ou permitir que faça estará cometendo um crime. Tratamentos espirituais devem ser vistos SEMPRE como tratamentos de apoio, nunca como tratamento principal para qualquer tipo de doença ou enfermidade.

Receitas de banhos e bebidas diversas

É bastante comum na Umbanda que guias receitem banhos, chás ou outras bebidas para os consulentes. Lembre-se do que foi dito anteriormente e tenha a certeza de que você não está interferindo no trabalho da entidade. Além do mais, é preciso ter muito cuidado com essa questão pois existe uma infinidade de plantas que parecem ser bastante inofensivas mas são tóxicas e ainda existem outras que podem cortar ou alterar o efeito de algum medicamento que a pessoa esteja tomando. Sempre que um guia receitar um chá ou qualquer outra bebida é de obrigação do cambone dizer ao consulente para primeiro consultar o seu médico sobre ele poder ou não beber aquele chá. Se for receitar banhos, a mesma coisa. É sempre NECESSÁRIO que o consulente consulte um especialista antes de tomar o banho que o guia espiritual passou e essa informação é de responsabilidade do terreiro inteiro, que ali naquele momento, está representado pelo cambone. Não fique constrangido em interromper um guia que estiver passando algo que você tenha certeza de que será perigoso para o consulente ou, caso não queira interromper, chame imediatamente o(a) dirigente do terreiro e explique a situação. Lembre-se que curandeirismo é crime.

Mandingas pelo avesso

Ahhh as mandingas…. o que seria da Umbanda sem as mandingas que sempre tem um guia ou outro que receita, não é? Mais uma vez, é papel do cambone ficar sempre de olho no que os guias estão receitando como mandingas. Não é raro o caso em que o médium se deixa levar pelo seu lado consciente e acabe receitando algo no lugar do guia espiritual. Mais uma vez, interrompa no mesmo instante ou caso não queira se indispor com o médium, chame imediatamente o(a) dirigente do terreiro e explique a situação. Mais uma vez devo lembrar que o que funciona pra um, pode não funcionar para outro.

Não tenha vergonha de pedir ajuda

Uma das maiores dificuldades de médiuns já experientes ou até mesmo dos que estão se iniciando na Umbanda, estes talvez por vontade de auto afirmação, é a dificuldade de pedir ajuda quando algo não está ao seu alcance. Se você está ali incorporado trabalhando e por algum motivo sente que a entidade se afastou de você, não tenha vergonha de dizer isso ou de pedir ajuda para o dirigente da casa ou até mesmo alguma outra entidade. Se você não está se sentindo bem, como médium, em atender determinada pessoa ou se, durante seu estágio de consciência mediúnica, você ver que não tem o que dizer ou o que fazer para ajudar ao consulente, chame outra entidade, encaminhe para o(a) dirigente do terreiro. Não tenha vergonha de não saber. Não saber é normal de todos nós, até mesmo os mais experientes acabam se deparando com situações inusitadas e simplesmente não sabem como agir. Chame alguém para ajudar, chame outro guia que esteja trabalhando. Lembre-se que um dos pilares sagrados da Umbanda é a humildade.

Como já disse, não tenho a mínima intenção de transformar isso aqui em um manual definitivo do médium de Umbanda. A minha intenção aqui é falar sobre minhas experiências e pontos de vista e, claro, deixar o espaço aqui aberto para aqueles que discordam ou queiram acrescentar algo. Os comentários estão abertos e terei o maior prazer em ler e comentar todos os comentários que fizerem.