Iemanjá

12/07/2016

IEMANJÁ

Características: 

Iemanjá é extremamente respeitada dentro dos cultos religiosos de matriz africana já que é tida como mãe de todos os Orixás. Seu nome tem origem na expressão Iorubá “Yèyé omo ejá” – “Mãe cujos filhos são peixes”  e por ser o mar o seu reino, é louvada como protetora dos pescadores e jangadeiros. Arrisca-se dizer que é a Yabá mais homenageada no Brasil, por ser conhecida como a grande mãe, padroeira da Umbanda.

É representada por uma mulher negra, de seios grandes. Sua origem é a África. Sua imagem 

se transformou com o sincretismo religioso e com o preconceito para com as religiões de matriz africana, o que a tornou popularmente conhecida por uma imagem branca mantendo somente o semblante calmo e decidido. Iemanjá, possui vários nomes/qualidades, sendo: Rainha do Mar, Janaína, Inaé, Marabô, Mucunã, Princesa de Aiocá,  Dandalunda, Sereia, Princesa do Mar e Dona Iemanjá, dependendo de cada região.

Iemanjá é a força da natureza com o papel muito importante em nossas vidas. Ela rege a procriação de todos os elementos e mantém o sentimento de amor, a fraternidade e a união entre as pessoas. Ela que dá o sentido à família.

Por ser considerada a mãe de todas as cabeças, rege o equilíbrio entre a razão e a emoção do ser humano. Ela não gosta de brigas e desavenças, não que seja o tempo todo passiva, mas prefere a paz e a harmonia. É mulher para o que der e vier, e tudo saberá enfrentar. Ela evita a guerra, mas se não for possível, sabe lutar para proteger os seus. Ela cuida da nossa necessidade de saber que aqueles que amamos estão protegidos e bem.

Outra característica de Iemanjá  é o fato dela receber a todos de braços abertos. Sempre disposta a ajudar, Iemanjá tem suas portas abertas para quem tiver fé. É a mãe que nos acolhe com carinho, nos inspira confiança e nos tira dos turbilhões da emoção. 

Iemanjá rege nossos lares, as casas e a família. Ela traz união entre as pessoas, sejam elas ligadas por sangue, ou não. Estimula  a geração do feto como também rege o desenvolvimento da criança auxiliando na criatividade, o desenvolvimento de idéias e laços familiares.

Dia da semana: Sábado. 

Data festiva02 de fevereiro e 15 de agosto.

Cor:  Azul Claro, Prata, Verde-água e o Branco.

Reino: Mar.

Sincretismo: Nossa Senhora dos Navegantes e Nossa Senhora da Conceição.

Ervas: Colônia, Pata de vaca, Musgo marinho, Alfazema, Lavanda, Rosa branca, Malva branca, Rama de leite, Flor de laranjeira,  Beti cheiroso e Capeba.

Essência: Alfazema, Rosa branca, Lavanda e Flor de laranjeira. 

Flores: Rosa branca , Flor do campo branca, Mosquitinho, Macarrão branco, Lisiantus branco e Copo de leite.

Pedras: Água marinha, Cristal de quartzo e  seixos de praia.

Chakra: Frontal.

Saudação: “Odo Iyá!”

Elemento: água

Comida: No ritual de Almas e Angola a comida entregue a Iemanjá é a canjica cozida, coberta por um creme de canjica e leite de coco, enfeitada com nove camarões graúdos. Seus agrados, em algumas situações, pode ser ofertado o manjar e o arroz branco.

Fruta:  Mamão. 

Bebida: Água mineral e espumante (em algumas situações).

Metais: Prata.

Número: 4 e 9.

Quizilas: Seus filhos costumam ter quizilas com baratas.

Ferramentas: Abebê – Espelho em forma de peixe na cor prata. Também aceita conchas, estrelas do mar, colares de pérolas e penca com seus símbolos pendurados em uma corrente. 

Lenda: 

A Lenda tem um simbolismo muito significativo, contando-nos que da reunião de Obatalá e Odudua (fundaram o Aiê, o “mundo em forma”), surgiu uma poderosa energia, ligada desde o princípio ao elemento líquido. Esse Poder ficou conhecido pelo nome de Iemanjá.

Durante os milhões de anos que se seguiram, antigas e novas divindades foram unindo-se à famosa Orixá das águas, como foi o caso de Omolu, que era filho de Nanã, mas foi criado por Iemanjá. Antes disso, Iemanjá dedicava-se à criação de peixes e ornamentos aquáticos, vivendo em um rio que levava seu nome e banhava as terras da nação de Egbá.

Quando convocada pelos soberanos, Iemanjá foi até o rio Ogun e de lá partiu para o centro de Aiê para receber seu emblema de autoridade: o abebé (leque prateado em forma de peixe com o cabo a partir da cauda), uma insígnia real que lhe conferiu amplo poder de atuar sobre todos os rios, mares, e oceanos e também dos leitos onde as massas de águas se assentam e se acomodam.

Obatalá e Odudua, seus pais, estavam presentes no cerimonial e orgulhosos pela força e vigor da filha, ofereceram para a nova Majestade das Águas, uma jóia de significativo valor: a Lua, um corpo celeste de existência solitária que buscava companhia. Agradecida aos pais, Iemanjá nunca mais retirou de seu dedo mínimo o mágico e resplandecente adorno de quatro faces. A Lua, por sua vez, adorou a companhia real, mas continuou seu caminho, ora crescente, ora minguante, mas sempre cheia de amor para ofertar.

A bondosa mãe Iemanjá, adorava dar presentes e ofereceu para Oiá o rio Níger com sua embocadura de nove vertentes; para Oxum, dona das minas de ouro, deu o rio Oxum; para Ogum o direito de fazer encantamentos em todas as praias, rios e lagos, apelidando-o de Ogum-Beira-mar, Ogum-Sete-ondas entre outros.

Muitos foram os lagos e rios presenteados pela mãe Iemanjá a seus filhos, mas quanto mais ofertava, mais recebia de volta. 

 LENDA (Arthur Ramos) – Fonte: Deusa Iemanjá.

 

Arquétipo dos filhos(as) de Iemanjá:  

Os(as) filhos(as) são imponentes, responsáveis, majestosos, belos, calmos, sensuais, cheios de dignidade e dotados de irresistível fascínio (o canto da sereia), são voluntariosos, fecundos, protetores, fortes, rigorosos, altivos e, algumas vezes, impetuosos e arrogantes. 

Têm o sentido de hierarquia e disciplina, fazem-se respeitar, são justos e formais. Põem à prova as amizades que lhes são devotadas, não perdoam uma ofensa com facilidade e, se a perdoam, jamais a esquecem. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérios. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, dos tecidos azuis e vistosos, das jóias caras. Preferem viver em ambientes confortáveis com certo luxo e requinte. Mesmo que  em tempo difíceis não possam dar-se a luxos, darão jeito de conservar o que tem.

Os(as) filho(as) de Iemanjá gostam de afazeres domésticos, educadores  e generosos, criando até os filhos de outros. Na vida profissional, preferem trabalhos que possam desenvolver com paciência, pois fazem tudo com detalhes. 

São possessivos e muito ciumentos. São pessoas muito voluntariosas e que pegam os problemas dos outros para si. São pessoas fortes e sensíveis, rigorosas e inseguras. São incapazes de guardar um segredo. Costumam exagerar nas suas verdades (para não dizer que mentem), aumentam as histórias e fazem uso de chantagens emocionais e afetivas para atingir seus objetivos. São vaidosos, principalmente com os cabelos. Suas filhas sabem seduzir e encantar com a beleza e mistérios de uma sereia. 

São pessoas que dão grande importância aos seus filhos, mantendo com eles os conceitos de respeito e hierarquia sempre muito claros. Nas grandes famílias, há sempre um filho de Iemanjá, pronto a envolver-se com os problemas de todos, e gosta tanto disso que pode revelar-se um excelente psicólogo. Não gostam de solidão, preferem estar rodeados pelas pessoas que amam, busca sempre solução para os problemas dos seus esquecendo-se da sua vida.

São extrovertidos e sabem sempre tudo (mesmo que não saibam). Como são desligados, às vezes até cometem atos irresponsáveis. São serenos, maternais, sinceros e ajudam a todos sem exceção. Ingênuos e calmos até demais, mas quando se enfurecem são como as ondas do mar, que batem sem saber onde vão parar.