Iansã

28/06/2016

 

Característica: Oyá, a deusa do rio Níger, é representada com um alfange, e um eruexim nas mãos, usa um chifre de búfalo na cintura.

O nome Iansã é um título que Oyá recebeu de Xangô. Esse título faz referência ao entardecer. Iansã pode ser traduzido como “a mãe do céu rosado” ou “a mãe do entardecer”.  Xangô a chamava de Iansã pois dizia que Oyá era radiante como o entardecer ou como o céu rosado, é por isso que o rosa é sua cor por excelência.

Iansã é uma Orixá guerreira que tem na natureza o domínio sobre os ventos, furacões, raios e chuvas torrenciais.

Divindade do movimento, do fogo, da necessidade de mudança, de deslocamento. Auxilia no despertar da consciência e no equilíbrio das ações humanas. O arquétipo perfeito da mulher guerreira, aquela que não tem medo de ir à batalha e de se arriscar. E por assim ser, a diferencia das demais yabás.

Está presente no tempo e no espaço, o grande vendaval que faz a limpeza do ar que respiramos. O ar em movimento caracteriza a sua essência.

Tem também a regência sobre a condição dos mortos até o portal entre o mundo material e espiritual. Quando o corpo é entregue de volta ao barro,  é Iansã, a Senhora dos Cemitérios, quem conduzirá o espírito, em seus ventos e tempestades, ao plano superior. Somente Ela consegue dominar a fúria de um obsessor. Tem por dever cuidar da estabilidade da atmosfera,

por isso, na espiritualidade, é Ela quem domina e conduz  espíritos recém desencarnados.

Dia da semana: quarta-feira.

Data festiva: 4 de dezembro.

Sincretismo: Santa Bárbara.

Cor: Amarelo, laranja, coral e branco.

Reino: Não possui um reino fixo, por ser a dona dos ventos, ela reinará por onde seu vento soprar.

Ervas: Alface, Amoreira, Bambu, Catinga-de-mulata, Dormideira sensitiva, Espada de Santa Bárbara, Pitanga, Romã, Fruta Pão, Louro, Cravo-da Índia, Hortelã roxa.

Essências: Pitanga, Cravo, Louro e Hortelã.

Flores: Gérberas (de todas as cores, especialmente amarela, laranja, coral, vermelha  e branca), também aceita rosas amarelas e flores em tons laranja e amarelo.

Pedras: citrino, calcita laranja, âmbar, quartzo rutilado.

Chakra: Plexo Solar.

Comida: 21 acarajés, molho de camarão, enfeitado com 21 folhas de louro.

Fruta: Manga.

Bebida: Vinho rosé suave.

Número: 09 e 11.

Elemento: Ar e fogo.

Saudação: “Eparrei Oyá!!”.

Lendas: 

Antes de tornar-se a esposa de Xangô, Iansã tinha vivido com Ogum. Encantada com a beleza de Xangô, Iansã decidiu abandonar Ogum e fugir com seu amante. Ogum enfurecido, resolveu enfrentar o seu rival. Mas este último foi a procura de Olodumaré, o deus supremo, para lhe confessar que havia ofendido a Ogum. Olodumaré, interveio junto ao amante traído e recomendou-lhe que perdoasse a ofensa, dizendo você é mais velho que Xangô, devem reservar a sua dignidade junto aos demais Orixás, portanto, não deve se aborrecer nem brigar, deve renunciar a Iansã sem rancores. Mas Ogum não aceitou o pedido de Olodumaré e passou a perseguir os fugitivos, chegando a trocar golpes com Iansã, que foi dividida em nove partes.

Outra lenda: Ogum foi caçar na floresta, como fazia todos os dias. De repente, um búfalo veio em sua direção rápido como um relâmpago; notando algo de diferente no animal, Ogum tratou de segui-lo. O búfalo parou em cima de um formigueiro, baixou a cabeça e despiu sua pele, transformando-se numa linda mulher. Era Iansã, coberta por belos panos coloridos e braceletes de cobre. Iansã fez da pele uma trouxa, colocou os chifres dentro e escondeu-a no formigueiro, partindo em direção ao mercado, sem perceber que Ogum tinha visto tudo. Assim que ela se foi, Ogum se apoderou da trouxa, guardando-a em seu celeiro. Depois foi a cidade, e passou a seguir a mulher ate que criou coragem e começou a cortejá-la. Mas como toda mulher bonita, ela recusou a corte. Quando anoiteceu, ela voltou à floresta e, para sua surpresa, não encontrou a trouxa. Tornou à cidade e encontrou Ogum, que lhe disse estar com ele o que procurava. Em troca de seu segredo (pois ele sabia que ela não era uma mulher e sim animal), Iansã foi obrigada a se casar com ele. Apesar disso, conseguiu estabelecer certas regras de conduta, dentre as quais proibiu que ele comentasse o assunto com qualquer pessoa. Chegando em casa, Ogum explicou suas outras esposas que Iansã iria morar com ele e que em hipótese alguma deveriam insultá-la. Tudo corria bem; enquanto Ogum saía para trabalhar, Iansã passava o dia procurando sua trouxa. Desse casamento nasceram nove crianças, o que despertou ciúmes das outras esposas, que eram estéreis. Uma delas, para vingar-se, conseguiu embriagar Ogum e ele acabou relatando o mistério que envolvia Iansã. Depois que Ogum dormiu as mulheres foram insultá-las , dizendo que ela era um animal e revelando que sua trouxa estava escondida no celeiro. Iansã encontrou então sua pele e seus chifres. Assumiu a forma de búfalo e partiu para cima de todos, poupando apenas seus filhos. Decidiu voltar para a floresta, mas não permitiu que os filhos a acompanhassem, porque era um lugar perigoso. Deixou com eles seus chifres e orientou-os para, em caso de perigo bater as duas ponta, com esse sinal ela iria socorrê-los imediatamente.

Ferramentas:  

Alfange – O Alfanje é uma espada curva com uma lâmina larga, com uma única borda em um lado. É uma evolução derivada dos sabres oriental. 

Eruxim – Instrumento Sagrado da Orixá Iansã, Matamba ou Oyá, independe da nação em que é cultuada. Esse Instrumento atemporal que ela carrega lhe confere poderes sobre o mundo dos vivos e mortos.

Ibá – Penca de objetos pendurados em uma corrente, em cobre. Pequenas miniaturas de espadas, espelho, leque, pulseiras, etc.

Quizila: Abóbora. 

Arquétipo:

Uma característica muito marcante nos filhos de Iansã é o carisma. Eles possuem um magnetismo pessoal muito forte, atraindo olhares por onde passam. Eles dominam a atração e a conquista, virando a cabeça e mexendo com o coração dos desavisados.

Seu poder de sedução é potencializado pelo seu bom gosto. Eles se vestem muito bem.

Por estarem acostumados a ter todos os olhares voltados para si, eles ficam arrasados quando não são o centro das atenções. Precisam ser paparicados e elogiados. Por isso, gostam de estar em ambientes movimentados.

Temperamentais, quem conhece um pouco sobre o mundo dos Orixás provavelmente já ouviu a seguinte exclamação: “Ai, mas filho de Iansã é muito briguento!” E são mesmo! Temperamentais, brigam e explodem por qualquer coisa. Eles possuem personalidade forte e gênio difícil. Não possuem filtro e falam o que vêm à cabeça.

Sua sorte é que as pessoas mais próximas não levam a sério suas explosões, chegando até a se divertirem com esse seu jeito sarcástico de dizer verdades ácidas.

Se você convive com um filho de Iansã, o ideal é não gritar e nem tentar controlá-lo. Assim, você evita explosões desnecessárias.Provavelmente essa é uma das piores características deles, mas é uma das principais, e você precisará aprender a conviver com ela.

Instáveis e imprevisíveis, os filhos de Iansã podem acordar de bem com a vida, bem-dispostos e felizes e na hora do almoço já estarem bravos e impacientes sem razão aparente. Uma hora estão doces e amáveis, na seguinte estão agitados e inquietos. Ora estão apaixonados, depois já estão planejando uma vingança.

Eles são mestres em fazer coisas no impulso, sem pensar nos detalhes ou nas consequências. Assim, não é de se estranhar que eles façam um pedido de casamento ou de namoro no susto, apareçam em casa com um animal de estimação e te chame para ir viajar amanhã. Eles são verdadeiras caixinhas de surpresas.

É difícil fazer planos com antecedência com eles, mas a parte boa é que se você tiver um filho de Iansã por perto sua vida nunca será monótona.

Incapazes de odiar, eles podem ter diversos defeitos, mas os filhos de Iansã são incapazes de odiar e guardar mágoas por muito tempo.

Outra característica é que são super protetores, mais ainda quando se trata dos seus filhos. Qualquer espécie de agressão a sua prole é uma grande ofensa. Se alguém faz algo de mal contra um filho seu, ganha um inimigo eterno. A proteção oferecida aos filhos não é apenas física, mas também emocional. Fazem de tudo para não vê-los tristes ou desiludidos.

São muito apegados às suas crias e não medem esforços para defendê-las. No entanto, mesmo com todo apego e proteção, eles não prendem seus filhos. Como valorizam muito a liberdade, criam-nos de maneira livre.

Precisam de alguns cuidados com a saúde e por serem muito intensos emocionalmente, os filhos de Iansã podem desenvolver problemas de alergias e no aparelho respiratório, resultantes de emoções. Eles também precisam cuidar do funcionamento dos rins e da vesícula biliar. Outras doenças que costumam assombrar essas pessoas são a depressão e a melancolia. Entre seus pontos fracos estão o útero e os ovários nas mulheres, e a bexiga e uretra nos homens.

Está à frente do seu tempo. Visionários, os filhos de Iansã não têm paciência para pessoas com visões retrógradas de mundo. Eles possuem uma inteligência acima da média e conseguem enxergar coisas que outras pessoas não conseguem.